Segundo semestre ainda pode mudar

Está em discussão com os atuais alunos o calendário do segundo semestre para São Paulo.

O Enem, bem no começo de outubro e tão valorizado agora, prejudicou o calendário.

A prova da Unesp no início de novembro, idem, para um curso que tem aulas aos sábados.

O resultado é que só teremos tranquilidade para trabalhar até o fim de outubro.

E muitos já estão pensando em sair do curso nesse momento, o que o inviabilizaria.

E nós estamos pensando em uma maneira de contornar tudo, e fazer um calendário bom para todos.



Escrito por Prof. Perdigão às 14h02
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Candidatos em pânico com a matéria da Folha: com razão

Matéria da Folha de S.Paulo reproduzida na Folha Online prevê que Enem dará pontuação diferente para provas iguais.

Nada mais falso.

E, claro, se saiu na Folha... todo mundo tende a acreditar. Mesmo que quem escreva seja ignorante em Estatística, bem, ele tem diploma de Jornalismo!

Mas vamos ao principal: a TRI tratada na matéria e também algumas vezes aqui já é usada pela Unicamp há algum tempo. Outros vestibulares vêm adotando. Não tem nada de errado nela, ao contrário. Seleciona melhor.

Mas as questões não são inteligentes coisa nenhuma. Se um candidato chutar e outro responder à mesma questão por conhecimento, receberão exatamente a mesmíssima pontuação. Isso parece óbvio? Na reportagem, não.

Só que, se um candidato acertar a questão 1 e errar a 2, e outro fizer o contrário, aí a coisa muda de figura.

Se a questão 2 era a mais difícil (e isso se verifica pela média de acertos, por exemplo), o outro candidato ganhará mais pontos, por normalização estatística, que envolve cálculo de média, desvio padrão, comparação com o índice de acertos dos bons e dos maus candidatos etc. Eu estou expondo aqui grosso modo. Na verdade, isso não se costuma aplicar por questão, mas por conjuntos de questões.

De qualquer forma, não se impedirá ou se evitará o chute. Em muitos casos, ele resultará, até mesmo, em notas maiores que o candidato que acertou as questões "na raça".

Mas o chute em um conjunto de questões tão abismantemente grande quanto o do novo Enem, inevitavelmente, levará a um aproveitamento médio da ordem de 20%, se houver 5 alternativas por questão. E essa nota média será mais provável de ocorrer no conjunto de questões difíceis, que valerá mais, por uma questão de normalização estatística. E 20% da prova, após a normalização estatística, será uma nota desvalorizada, baixa, em relação à média da prova, por mais que esta esteja próxima de 20% (talvez 25%...).

Portanto, repito: alguém que for bem nas questões difíceis e for mal nas fáceis vai se dar bem no Enem. Melhor que se acertar rigorosamente o mesmo número de questões, mas apenas as fáceis.

Não seria permitido, pela TRI ou por outro dispositivo qualquer, julgar se um aluno acertou as questões difíceis por chute, ou errou as fáceis por nervosismo, e, com isso, roubar-lhe ou atribuir-lhe pontos, de forma aleatória ou até mesmo individual!

Não seria justo julgar o candidato.

Isso não existe.

Assim como não existe o julgamento aleatório, subjetivo, de qual questão é fácil ou qual é difícil. Isso também não poderia existir. Quem informa isso são os testes que o MEC está realizando e que estão descritos na reportagem, e que só valem para a seleção das questões que estarão na prova. O julgamento definitivo sobre o nível de dificuldade de cada questão virá do próprio Enem. As médias e desvios padrão serão dados pela própria aplicação da prova e pelas notas que resultarem daí, e não pelas notas daqueles que estão testando as questões.

O que existe, portanto, é um rigoroso sistema estatístico que reduz o peso de chutes ao valorizar o número de acertos a partir das notas mais prováveis, a partir da média de todos os candidatos.

Portanto, continuem sendo críticos em relação ao que leem e fiquem absolutamente tranquilos para o Enem. Pelo menos em relação a isso.

P.S.: Sei que o meu texto não é absolutamente esclarecedor, mas não vem ao caso aqui trazer exemplos. Quem quiser, que consulte referências interessantes que eu mesmo já vi por aí, como o manual da Unicamp ou o da Estadual de Maringá. Fácil encontrar na rede.



Escrito por Prof. Perdigão às 01h29
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Liberdade de imprensa no Brasil: a democracia se fortalece

Depois da queda da Lei de Imprensa, caiu ontem, também, a exigência do diploma para exercer a função de jornalista no Brasil.

É definitivo, é justo, é coerente, é democrático.

E a revista Cultura Secular, do Secular Educacional, volta a ter, definitivamente, um jornalista responsável:

(embora, na qualidade do jornalismo científico apresentada, nada mude...)

Daniel Perdigão Nass (MTb/SP 37654)



Escrito por Prof. Perdigão às 00h26
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Contato com os interessados adiado para quinta-feira

Por conta de atividades imprevistas, não pude entrar em contato com os interessados no Semiagosto.

Na quinta-feira, tudo deve se normalizar.



Escrito por Prof. Perdigão às 17h12
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Calendário do segundo semestre já tem versão definitiva

Foi feita a adequação do calendário do segundo semestre de 2009 do BoaProva para atender às necessidades dos alunos, tanto em São Paulo quanto em São Carlos, em relação às datas dos principais vestibulares, que foram definidas há alguns dias.

Teremos, em São Paulo, exatamente o mesmo número de aulas e de plantões que no primeiro semestre: 15 aulas - que fazem parte do contrato - e 4 plantões previstos - que serão dados em função da necessidade dos alunos, do interesse, e de liberalidade do BoaProva em benefício dos vestibulandos, mas que não são obrigatórios, pois não fazem parte do contrato.

Tudo rigorosamente igual ao primeiro semestre.

Dias de aulas contratadas (referência sábado):

Agosto: 1, 8, 15, 22, 29
Setembro: 12, 19, 26
Outubro: 17, 24
Novembro: 7, 14, 28
Dezembro: 5, 12

Dias de aulas contratadas (referência sexta-feira):

Julho: 31
Agosto: 7, 14, 21, 28
Setembro: 11, 18, 25
Outubro: 16, 23
Novembro: 6, 13, 27
Dezembro: 4, 11

Plantões previstos:

Setembro: 5
Outubro: 10, 31
Novembro: 21

Não teremos aula no fim de semana do Enem, e haverá plantão na véspera da primeira fase da Fuvest, para tranquilizar.

Haverá a todos os interessados outros plantões visando a segunda fase.



Escrito por Prof. Perdigão às 02h16
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Plantão de dúvidas neste sábado 13/06

Neste sábado, 13 de junho, das 10h às 16h, teremos o nosso plantão de dúvidas.

Como sempre acontece, os alunos podem ir ao CCSP para fazer exercícios, e tirar as dúvidas que forem surgindo. Não é preciso que tenham dúvidas prévias, afinal, elas só surgem ao se pensar sobre o assunto estudado.

Digo isso porque já ouvi coisas do tipo "não tenho dúvidas, vou ficar em casa estudando". E o aluno fica sem conseguir eliminar as dúvidas. E, se bobear, fica com preguiça até mesmo de começar a trabalhar.

Portanto, chega de preguiça e vamos todos nos encontrar na biblioteca do CCSP neste sábado, independentemente de haver dúvidas.

Se você for um aluno novo, e estiver interessado em fazer o curso no segundo semestre, aproveite a oportunidade e dê uma passadinha por lá para conversar com a gente. É fácil encontrar: veja a foto ao lado e procure-me por lá!

CCSP: R. Vergueiro, 1000. Metrô Vergueiro.



Escrito por Prof. Perdigão às 12h51
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Definição do local de aulas do 2º semestre

Estamos próximos de confirmar o Ciclo II do Ciclo Duplo e o Semiagosto Direto ao Ponto! 2009 da escola em São Paulo para a avenida Paulista, pertinho do metrô Brigadeiro.

É o mesmo local onde já são ministradas as aulas do Extensivo, atualmente.



Escrito por Prof. Perdigão às 18h06
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Após o feriado, retomaremos o ritmo normal

A partir de 15 de junho, já teremos tempo de nos dedicar mais fortemente à escola.

Algumas cobranças estão em atraso, o telefone da escola em São Carlos (prefixo 3371) deixou de funcionar... enfim, só as aulas seguem normais. Tudo será retomado com força total depois do feriado.

Ufa!



Escrito por Prof. Perdigão às 02h01
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Mais dinheiro para a Educação no Brasil

Foi aprovada na Câmara proposta de emenda constitucional que acaba (aos poucos) com dispositivo que desviava verba obrigatória da Educação para outras áreas da União.

Isso significa mais dinheiro para a Educação brasileira.

Não é só isso o que falta para a grande virada na educação do país, mas já ajuda.



Escrito por Prof. Perdigão às 03h11
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Classe média estragou a escola pública, diz Lula

De acordo com o nosso presidente, a escola pública se deteriorou porque a classe média tirou os filhos dela.

O que ele quis dizer?

Que com os pobres ela ficou entregue à própria sorte?

Que a classe média tinha condição política de brigar por qualidade na escola em plena ditadura?

Que, por extensão, a segurança, a saúde, a habitação, os transportes etc. também estão como estão por causa da classe média?

Ou que ele desconhece por completo as razões pelas quais a escola pública se deteriorou desde a década de 70 e aprofundou a perda de qualidade na de 90?

Mesmo que venha a ser a última hipótese, a acusação é grave e sem fundamento!



Escrito por Prof. Perdigão às 00h24
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Já tem promotor contra o novo Enem

No Rio Grande do Sul, o Ministério Público Federal quer impedir a UFPel (Universidade Federal de Pelotas) de usar o novo Enem já. Mudanças, para o MPF-RS, só em 2011.

A ideia é simples: tudo foi aprovado em cima da hora, pela instância errada, e sem avisar com antecedência aos alunos candidatos e professores de Ensino Médio.

Justíssimo. Coerentíssimo. Tudo o que eu venho dizendo há tempos.

Resta saber quem ganhará a disputa.



Escrito por Prof. Perdigão às 19h34
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A hipocrisia, em forma quase pura: entrevista com a pró-reitora de Graduação da USP

UOL Educação realizou uma entrevista com a professora Selma Garrido Pimenta, pró-reitora de Graduação da USP.

Como eu disse aí no título: hipocrisia em forma quase pura.

Veja alguns trechos destacados:

UOL Educação: Que mudanças na prova a senhora destacaria?
Selma Garrido Pimenta:
   A primeira fase [com 90 testes de múltipla escolha] estava muito valorizada no processo como um todo. Ela tinha um peso de 50%. Agora, ela terá peso zero na nota final.
   Ela [ainda] será uma avaliação geral, sem nenhuma mudança na prova em si; ela terá as 90 questões e o mesmo tempo de duração. Ela será um grande filtro que classifica a partir de um nível de conhecimento bastante geral das disciplinas do ensino médio.
   Na segunda fase, é que nós temos a mudança significativa. Primeiro: uma redução no número de dias para a realização das provas. Com isso, buscamos diminuir o estresse que o vestibular USP provoca. Passamos a ter três dias de provas - e não mais cinco como era antes.
   Aqui temos a novidade maior: o candidato, que foi selecionado na primeira fase com uma visão geral dos conteúdos, tem de demonstrar, agora, um nível de conhecimento maior para o conjunto das disciplinas do ensino médio.

Peso 50% é muito, vamos baixar. Para quanto? Zero. É aquela história que eu venho repisando aqui: nas carreiras fáceis, o sujeito inteligente e malandro, que fez escola boa, não precisa mais estudar até novembro. Passa para a segunda fase com uma mão nas costas e aprende as técnicas da segunda fase rapidinho em dezembro. Passa fácil, eu garanto. Por quê? Porque a primeira fase vale zero. Zero. Nada. Coisa alguma.

Você veja também que aquilo que eu tenho dito é verdadeiro: a Fuvest reduziu o número de dias para economizar. Nenhum aluno fazia cinco provas na segunda fase. O máximo era quatro. Cinco dias é a visão de quem organiza. Não é a visão do aluno. Nota-se claramente que a preocupação da pró-reitora não foi, em nenhum momento, com o aluno. Nem por um só momento a USP pensou nos candidatos.

Outro jogo de palavras: "o candidato tem de demonstrar (...)[na segunda fase] um nível de conhecimento maior para o conjunto das disciplinas do ensino médio". É verdade. Só que isso é ínfimo, representando 20% da nota final e um tempo de prova de cerca de 2 horas. O que é extremamente grave é que ele deixa de mostrar que sabe do tema que realmente é importante, ou seja, praticamente acabaram com as específicas. O peso segue sendo de quase 50%, mas será medido com um número de questões bem menor que antes. O grande risco disso é a Fuvest selecionar candidatos que não têm talento para a área que escolheram, aumentando a evasão e o desperdício de dinheiro público.

Lá vem o pior:

UOL Educação: Sendo a Fuvest tão importante, como é ter nas mãos este vestibular?
Selma Garrido Pimenta:
  É uma grande responsabilidade. Todo o processo é feito com muito cuidado, muito estudo e muita cautela. Essas mudanças que serão implantadas no próximo vestibular, por exemplo, estão sendo estudadas desde antes de eu chegar aqui [há quatro anos].

O processo é feito com tanta cautela que está cheio de gente dentro da USP criticando a mudança repentina, que chega sem nenhum aviso prévio. Acabaram com a preparação dos megacursinhos, que tinham se programado para a Fuvest antiga e não vão conseguir se realinhar; acabaram com a segurança dos candidatos; minaram a lisura do processo. Avisar sobre mudanças com 7 meses de antecedência, se a alteração era estudada há mais de quatro anos, por quê? Por que mantiveram segredo e causaram pânico? O que a Fuvest ganhou com isso nós já sabemos: muito dinheiro. O que perdeu, também fica cada vez mais claro: confiabilidade.

E a Fuvest está perdendo espaço para o novo Enem. Isso pode ter um efeito devastador nas carreiras menos concorridas. Vamos ver o efeito disso tudo daqui a alguns anos.



Escrito por Prof. Perdigão às 00h15
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Bônus para quem não merece, falta dele para quem merece...

Fantástica matéria de Antônio Gois e Talita Bedinelli, publicada hoje na Folha de S.Paulo (só para assinantes Folha ou UOL), retrata o esforço descomunal de pais das periferias de SP e RJ, que usam até 50% da renda familiar para sustentar os filhos na escola particular (a mais barata, com mensalidades de um oitavo daquelas de elite), para evitar o caos e a instabilidade da escola pública.

A reportagem mostra que os alunos têm melhor desempenho que alunos de mesma renda nas escolas públicas. Pode ser pelo fato de suas famílias valorizarem mais a educação. Pode ser a própria estrutura escolar.

O que importa é que é comovente ver os esforços desses pais.

O que importa é que é frustrante ver que estão dando bônus para alunos da elite socioeconômica que cursaram escolas de elite do governo, enquanto esses alunos, heroicos, precisam se sujeitar à concorrência de igual para igual com os alunos das particulares de elite.

É injusto demais!



Escrito por Prof. Perdigão às 22h38
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Nova lista de específicas Fuvest: quem perde é a USP

Hoje foi aprovada a lista de provas específicas da Nova Fuvest, ou seja, as disciplinas que serão cobradas no terceiro dia.

Sim, é verdade, todas as disciplinas serão cobradas no segundo dia.

Mas não dá para entender certas escolhas.

Como a de escolherem Geografia como específica para Medicina e Odontologia, reduzindo o peso daquilo que realmente importa: Química e Biologia.

(Que pedissem pelo menos História, como a Enfermagem Ribeirão, para que se exigisse que o futuro profissional entendesse um pouco mais da mente humana, do que ela foi e é capaz de fazer. Geografia não tem nexo, porque a USP nunca formou médicos ou dentistas para a Saúde Pública! Nunca.)

Ou pedirem Matemática para Relações Públicas, Publicidade e Turismo.

E, se há alguma coerência nessa exigência, não pedirem também para o Jornalismo - esse sim, lida com divulgação de números o tempo todo, e tem responsabilidade sobre a educação matemática da população.

Direito, agora, também pede Matemática. Embora esta seja conhecimento necessário apenas a algumas áreas muito específicas do Direito. Acho dispensável. Mesmo que seja pela Lógica, as Humanas também têm a sua.

Por outro lado, achei positivo cobrarem Matemática na Pedagogia e na Psicologia, áreas que tradicionalmente utilizam muito Estatística. Antes, só a Psicologia SP cobrava.

Mas a Enfermagem, que também faz isso... ficou de fora.

Perde também a carreira de Ciências Biomoleculares de São Carlos, que dispensou a Matemática e tenta mostrar que é um curso que é mais voltado à área de Biológicas. Mas que não é, e vai sofrer ainda mais por escolher mal os candidatos.

Conclusões/Previsões

A área de Biológicas vai sofrer com as escolhas que fez. Estão selecionando os candidatos com as habilidades erradas, com uma prova em que é possível ser malandro. Isso será pior, para a USP, que criar cotas. Vamos ficar aqui, só vendo a taxa de evasão aumentar.

Para Humanas, algumas mudanças positivas, muitas outras negativas. No Direito e em algumas carreiras da ECA, a USP vai selecionar o sujeito que entende das exatas e deixar de fora o que manda bem de humanas.

Só as Exatas passam incólumes pela mudança - embora o aumento de peso da redação vá distorcer o resultado a favor do candidato que entende de humanas.

Essa ideia de escolher os candidatos que têm múltiplas inteligências desenvolvidas é boa, excelente. Mas não é a prova de vestibular que deve fazer isso. É o próprio candidato e sua vocação, seu desejo. Acho que a prova antiga fazia isso com muito mais eficiência do que essa nova seleção fará.

Só uma coisa é certa.

Para os cursinhos, está ótimo.

Para o nosso interesse comercial, também, porque, agora, tem exatas nos três carros-chefe: Engenharia (obviamente, e também porque a área de Exatas foi a única coerente na escolha das provas específicas), Medicina (com a Química - a saída da Física pouco importa, porque a concorrência na primeira fase é feroz demais e exige domínio total das exatas) e Direito (que ganhou a Matemática no segundo e no terceiro dia da segunda fase).

Quem perde, mais uma vez, é a USP.



Escrito por Prof. Perdigão às 23h06
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Um infeliz exemplo de inconsequência

Mais uma do Dimenstein. Claro.

Desta vez, um artigo no qual diz que a ex-secretária da Educação paulista, Maria Helena Guimarães, é, já no título do artigo, "um belo exemplo de coragem".

Pois vamos lá!

Bônus para os professores, o Dimenstein acha que ela foi corajosa para comprar briga para conseguir. Eu acho que ela se desgastou por pouco. Muitos professores só querem poder trabalhar, algo que está muito difícil em muitas escolas, pois existe uma indisciplina absurda e difícil de coibir por ameaças. Existem muitas aulas vagas e o ruído que vem do pátio, dos alunos desocupados, é ensurdecedor, impossibilitando qualquer atividade didática proveitosa. Dinheiro extra é bom, mas não basta.

E, por outro lado, foi liberado bônus para os professores das melhores escolas (o decil superior), independentemente de terem melhorado ou piorado em relação ao ano anterior. Ou seja, o bônus é dado até para quem está ruim (pois as melhores escolas do Estado não são nada boas em comparação com as particulares, ou com o padrão internacional da OCDE) e cada vez pior. É, a intenção do bônus foi boa, mas o Adib Jatene, ex-ministro da Saúde, está aí para mostrar que só boa intenção não funciona. É preciso ser político.

A secretária criou um currículo básico, só que esse currículo não é básico. Ele diz tudo o que o professor precisa fazer em sala de aula. Não dá liberdade e não diferencia as escolas centrais das da periferia, e estas das rurais, e assim por diante. Todo mundo vê a mesma coisa. E vê com umas apostilinhas vagabundas, que nitidamente não passaram por revisão, pois estão cheias de erros. Erros de diagramação, como aqueles que apareceram no programa Fantástico e em outros na TV, com os dois Paraguais. Ontem, mesmo, na aula da Licenciatura, os futuros professores, com uma apostilinha dessas na mão, começaram a listar erros óbvios, como a presença de um mapa em inglês, sem qualquer tipo de tradução. Mas existem os mais graves: erros conceituais, por exemplo...

O pior de tudo: ouvi dizer que professores sem formação adequada estão fazendo as tais apostilas e a Secretaria de Educação está colocando o nome de professores da USP como autores, quando, na verdade, estes professores apenas deram diretrizes gerais do processo e elaboraram os parâmetros curriculares paulistas. Está aí algo que eu reconheço, Dimenstein, como coragem. Porque, se é verdade o que eu ouvi falar, isso é fraude. E eu acho que é preciso ser corajoso para ser mentiroso.

A secretária implantou um sistema de índices de avaliação tão bom que é, mais ou menos, como colocar 10 médicos de ponta para diagnosticar uma doença. E deixar um estagiário para tratar. Vale lembrar que, na tal provinha de seleção de docentes temporários implantada pela secretária, louvada pelo Dimenstein e devidamente ironizada aqui, muitos dos candidatos a professor tiraram zero, e nada foi feito para requalificá-los. A única coisa que a secretária quis foi eliminá-los do processo. Só que, se a secretaria fizer isso, vão ficar ainda mais "aulas vagas", mais alunos no pátio, menos condição de dar aula...

Para o Dimenstein, "no futuro, ela será lembrada como uma das pessoas que fizeram avançar a educação no Brasil; sempre esteve aberta às mais diferentes experiências inovadoras." É bom lembrar que tentar reinventar a roda é improdutivo e excêntrico. Nunca soube de nenhum professor lembrado de forma positiva por ser excêntrico. Apenas artistas talentosos merecem esse tratamento. Não é o caso. Improdutividade, então, é coisa de gente da nobreza. Também não é o caso.

E agora, por fim, botar o Paulo Renato, que virou político mas não é político - precisa aprender muito com o Haddad, esse, sim, bem mais político e mais entendido de educação, tanto que está desde 2004 na pasta do MEC - no lugar da Maria Helena na secretaria... para mim, se é jogada política, é de perna de pau. Por mais que queira e aja para revolucionar (mas nem o Dimenstein acredita nisso - acha que o Paulo Renato vai dar continuidade às baboseiras da ex-secretária), não é em um ano e meio, ou seja, até a próxima eleição presidencial, que a situação da educação paulista vai mudar.

Educação se muda em lustros, não em meses. E bons profissionais são lembrados por progressos, não por tentativas.



Escrito por Prof. Perdigão às 23h31
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