O terrorismo não pode nos deter
O terrorismo é uma das formas mais sujas de se causar medo. Muitas pessoas cedem ao sentimento que se quis provocar. Confesso sentir apenas raiva, reflexo do desentendimento sobre o motivo que leva pessoas e grupos a causar medo em pessoas que não estão diretamente ligadas à causa pela qual dizem lutar. Em março, estive na praça Djemaa el-Fna, em Marrakech, que menos de um ano antes sofreu um atentado com explosivos em um de seus cafés. Ontem, recebi a notícia da explosão na Avenida Caracas com Calle 74, em Bogotá, esquina por onde passei também há menos de um ano. Curiosamente, anteontem planejava (a ponto de buscar passagens e hotéis) um retorno à convidativa capital colombiana para breve. Disposição que não cedeu. E nem poderia. Afinal, o terrorismo não pode nos deter.
Escrito por Prof. Perdigão às 01h34
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25 de maio: qualificação do doutoramento
Estou um pouco ausente do blog, mas cabe explicar. Daqui a 15 dias, tenho a minha defesa do doutoramento. Entre rever, reescrever, pesquisar e estudar, a maior parte do tempo antes livre fica comprometida. Confesso que não tenho conseguido dedicar-me o suficiente aos demais cursos, especialmente ao mestrado que comecei há pouco. Mas melhor isto do que comprometer o trabalho na universidade. Fica o convite a todos, para que compareçam à defesa. Será em 25 de maio, no Instituto de Física da USP, pela manhã, em sala e horário ainda não confirmados. Como sempre, ficarei muito feliz de rever velhos amigos. Porque é só assim que se mata saudade!
Escrito por Prof. Perdigão às 00h52
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Brasil e México: em comum, o desprezo pela educação
Somente hoje tive a oportunidade de ler o exemplar de USA Today de 30 de março passado. A reportagem à página 7A, sobre a educação básica no México, mostra que a situação por lá é praticamente a mesma que a brasileira. Fatos: - apenas 0,7% dos alunos mexicanos mostram grau avançado de domínio da Matemática nos testes da OCDE; nos EUA, a proporção é de 10%, quase 15 vezes maior; - falta comando na educação. Por lá, quem apita é o sindicato de professores, que faz vista grossa às faltas dos docentes e vende posições melhores dentro das escolas (útil aos docentes na época de aposentar); - o governo desconhece o número de docentes (ok, nisto o Brasil está em vantagem), embora os desvios de função sejam comuns. Se lá há professores trabalhando no sindicato, aqui, muitos fogem para as diretorias ou regionais de ensino; - a educação, por ser voltada à memorização e não à solução de problemas, é tão ruim na rede particular quanto na pública. Alguns podem não acreditar, mas a situação não é tão diferente no Brasil. Acesse o texto original: http://www.usatoday.com/news/world/story/2012-03-21/mexico-education/53872544/1
Escrito por Prof. Perdigão às 23h40
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O convívio nas artes e as artes no convívio (Luís Carlos de Menezes)
Na última segunda-feira, em reunião com meu orientador de doutorado, o prof. Luís Carlos de Menezes, soube que, na última edição da revista Nova Escola, da qual o prof. Menezes é articulista, sua coluna havia abordado a temática da educação pela arte. Como a referida revista é cara, e seu conteúdo deixou de ser gratuito pela internet, não costumo ler o que escreve. Mas, desta vez, comunicado pelo próprio articulista e com a temática tão relacionada com o meu mundo profissional, resolvi dar um jeito de ler. Mais uma lição brilhante do prof. Menezes, um sujeito realmente especial. Leia o artigo na íntegra abaixo. Copiei porque a temática é importantíssima, especialmente aqui no Tocantins. ________________________________________________ O convívio nas artes e as artes no convívio
Subestimar essa linguagem na escola é ignorar parte fundamental da cultura e empobrecer a formação para a vida e para o trabalho
Tanto quanto as ciências e as demais dimensões da cultura, a arte se aprende praticando, compreendendo e apreciando. Por isso, ela é para ser vivida, conhecida e saboreada. Curioso pensar que, diferentemente do que ocorreu na história humana, na qual as artes antecederam a escrita, as crianças da Educação Infantil cantam, moldam, dançam, representam e desenham enquanto iniciam seu processo de letramento. Mas é preciso reconhecer: à medida que avança a Educação Básica, a Arte frequentemente perde espaço. A disciplina vai sendo reduzida ou confirmada, talvez porque em muitas escolas o caráter cognitivo da formação se empobrece, em prejuízo do sentido mais amplo do educar.
Por isso, é oportuno questionar: por que as artes têm tido um papel menor na Educação? Deixá-las em segundo plano é um simples equívoco ou reflexo de sua importância? Elas devem ser reconhecidas somente na disciplina de Arte ou também nas demais?
As respostas a essas questões podem ajudar professores de todas as áreas a educar melhor, como mostrarei a seguir. Isso depende, porém, de uma compreensão mais lúcida do mundo e do sentido da escola, que leve à superação de um pragmatismo equivocado que substitui formação por treinamento desde os primeiros anos da vida escolar.
Artes existem desde a pré-história e estão na origem da civilização. Em todas as épocas, deram forma a utensílios, edificações, representações e rituais, caracterizando cada cultura. O passado das artes persiste na imponência gótica da catedral, no enlevo da música barroca e na graça eterna do teatro de máscaras. Desprezá-lo seria como só ver sentido no último capítulo de uma obra sem ler os anteriores. Até hoje, as artes dão forma a inúmeras manifestações, não importa se seja o break na calçada ou o balé no palco, o conceito surpreendente da página do webdesigner ou a ponte estaiada do arquiteto. Esse amplo universo não pode ser ignorado pela escola.
Só quem teve o privilégio de estudar em uma boa instituição, que valoriza as artes, sabe a importância de participar de um conjunto musical, de uma oficina de teatro e de grafite ou de ter visitado mostras e museus. Desenvolvendo a sensibilidade e o gosto do convívio nas artes se aprende também a arte no convívio. Valores como respeito, cooperação e tolerância também estão em jogo quando se ensina e se aprende Arte. Basta se lembrar do movimento entre os personagens numa peça ou do intervalo deixado para um solo de bateria. Ambos exercitam tais atitudes, nos preparando para lidar com uma intervenção durante reuniões de trabalho ou com opiniões divergentes numa discussão entre amigos.
História e Geografia, entre outras, também podem ser integradas à Arte. Não porque esta esteja a serviço de outras disciplinas, nas porque contribui com elas. Afinal, fazer a maquete do bairro dá mais realidade ao mapa, assim como analisar uma cerâmica ou uma pintura traz o passado para a sala.
No entanto, ainda há quem acredite que o interesse pelas artes é irrelevante e existem muitas escolas que formatam seus currículos em função dessa percepção. Pois, para quem, por equívocos como esses, encara as artes como opostas a outras atividades, posso contar que o mais ilustre cientista com quem convivi, meu mestre Mário Schenberg (1914-1990), foi um reconhecido crítico de artes, além de grande físico brasileiro. O mais ilustre cientista com quem ele conviveu, o físico alemão Albert Einstein (1879-1955), também tinha grande interesse pelo tema: gostava de música, ticava violino e não fez segredo sobre o quanto suas ideias nas ciências foram fortemente influenciadas pelo que ele aprendeu com a literatura.
(Luís Carlos de Menezes – Físico e educador da Universidade de São Paulo/USP) (Revista Nova Escola – Ano XXVII – N° 251 – Abril/2012 - Ed. Abril) ________________________________________________ Espero que os colegas do IFTO leiam o artigo e entendam a importância de Gurupi ter cursos de licenciatura, técnicos e tecnológicos na área de Artes. E entendam, nas entrelinhas do artigo, que é exatamente a falta de Arte na nossa região o grande problema para se perceber o quanto ela é importante na Educação, a razão da baixa procura, o descrédito e o desdém com que o curso é visto externamente etc.
Não podemos deixar os cursos de Artes do IFTO Gurupi morrer!
Escrito por Prof. Perdigão às 19h24
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243rd ACS Meeting e VII Enpec
Foi realmente surpreendente observar de perto como são as reuniões da American Chemical Society, a Sociedade de Química dos Estados Unidos. A reunião ocorreu entre os dias 25 e 29 de março em San Diego, na Califórnia, e foi incomparavelmente maior e mais organizada que as reuniões anuais da SBQ, a sua congênere aí no Brasil. Aliás, as reuniões da ACS são semestrais. Na próxima semana, já de volta, apresentarei trabalho referente aos nossos cursos de formação de professores de Ciências pela UFT em encontro da pós-graduação na USP, em São Paulo. Aulas na UFT, só depois da Páscoa. Então, desejo feliz Páscoa a todos!
Escrito por Prof. Perdigão às 04h11
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Professor, não tem como ser mais fácil?
Até um certo limite, tudo pode ser mais fácil. A questão é a seguinte: cada alteração de um processo para torná-lo mais fácil modifica-o. O risco é o de se alterar tanto este processo de tal forma que ele já não tenha as características essenciais do processo original. Por exemplo, é possível facilitar a Matemática. Só que, se facilitar demais, deixa de ser Matemática. Veja o que aconteceu com a progressão continuada em São Paulo. Significou tanta moleza para os alunos que deixou de ser uma solução educacional para ser um enorme problema. Esta postagem é pertinente porque dói no coração ter de reprovar alunos. Não faria isso se tivesse a certeza de que vocês sabem o suficiente para seguir adiante, independentemente da nota na prova. Boas férias!
Escrito por Prof. Perdigão às 01h38
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Expansão da rede federal em risco
São tantas as notícias preocupantes relacionadas com cursos do Reuni que eu temo que isto acabe por, no futuro, carimbar negativamente o currículo dos egressos. Não canso de dizer isto. Grades curriculares mal elaboradas, planejamento ruim, falta de verbas, falta de professores, falta de materiais, falta de espaço físico... Cadê a representação estudantil, meu Deus!? Só ficaram os chapas-brancas? Ou os novos ingressantes não estão acostumados a lutar pelo que querem, ou não sabem fazer isto? Eu estou pela segunda opção... E isso só mostra como a educação superior pública está decaindo: estamos formando gente que não sabe lutar por seus direitos... A não ser que se trate de algo pequeno e imediato, como uma lata de cerveja... Deu saudade dos malucos esquerdistas!
Escrito por Prof. Perdigão às 16h53
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Impunemente, a educação segue engessando
O UOL Educação publicou uma fotorreportagem interessantíssima sobre o ódio que os astros da música, mais especificamente do rock, tinham em relação à escola. Clique aqui para ler os relatos (no caso de John Lennon, trata-se da extração dos textos de uma de suas biografias, por isso, não está em primeira pessoa). Sofriam bullying, eram malvistos pelos professores e, em vingança contra o sistema, desdenhavam dele. Leia lá antes de prosseguir. Nem de longe vivi a situação que eles relatam. Mas uma série de experiências sobre o tema vale a pena compartilhar aqui. Aula expositiva é o máximo Como muitos sabem, estou fazendo uma nova graduação, desta vez em Artes Cênicas. Se, em 100% das universidades, este é um curso excepcionalmente liberal, no Instituto Federal, com suas tradições da educação básica (controle rigoroso de frequência, horário de aulas rígido, aulas tradicionalíssimas com projetor multimídia, seminários e provas escritas), a regra foi quebrada para pior. Agora, querem proibir os notebooks em sala de aula. Nada mais pretensioso achar que banir computador vai fazer a aula ficar melhor. E, se não é capricho, é ignorância. Não prestar atenção em uma aula coletiva só quer dizer que aquele assunto, abordado daquela maneira, por aquela pessoa, não lhe chamou a atenção naquele momento. Só. Não advogo em causa própria, pois raramente levo o meu laptop. Mas me lembra muito uma perseguição que sofri no mestrado, em uma disciplina, porque eu preferia ler em lugar de olhar o idiota pretensioso do professor. Sim, provavelmente, ele achava que a aula dele era melhor que o livro! No fim, deu no que deu: quem olhava a aula levou B, C, R. Quem leu o livro e estudou sozinho ficou com um fácil A. Quem assiste às minhas aulas na UFT sabe que eu não cobro presença de ninguém, sou extremamente flexível nas atividades propostas e peço ao aluno para que, se achar mais fácil, procure e se fie em outras fontes, como vídeos da internet ou livros. É difícil dar uma aula diferenciada de Cálculo, mas eu tento. E minha prova busca contextualizar as questões, da forma menos artificial possível. Aliás, sempre abro a possibilidade de o aluno propor outras formas de avaliação. Chega de engessar e achar que todos aprendem do mesmo jeito! Viva a diversidade! (A propósito, quem me conhece do ensino médio e da graduação em Química sabe o quanto eu dormia em sala. Não me lembro de ninguém dormindo na minha aula na UFT... Bom ou ruim?) Ridicularizando o sistema Daqui a dois anos e meio, possivelmente, terei um doutorado, dois mestrados, uma ou duas especializações e quatro graduações. E o que isso significa? Nada? Resposta rápida: nada. Esclareço: - Entrei na graduação em Química em 1998 e me empolguei com a USP e as múltiplas possibilidades, como já postei recentemente. Mas a transferência para o curso de Ciências Moleculares me engessou. Não tínhamos janela na grade, a competição sufocava a cooperação entre alunos, o ambiente era pouco estimulador. Em São Carlos, apreciava tudo, menos a graduação. Trabalhava com gosto na Revista Eletrônica de Ciências e como monitor de Química no CDCC, o centro de ciências da USP local. Mas ridicularizava o sistema da graduação dormindo o tempo todo, depois colando (raro) ou estudando uma mísera horinha na véspera com meu querido amigo Glauco Perpétuo (extremamente frequente). - Em março de 2004, por exemplo, fiquei revoltado porque marcaram a colação de grau em cima da hora, com menos de uma semana de antecedência, e não apareci, embora pudesse ter desmarcado a aula que dava no BoaProva (o querido Raphael Sabaini é testemunha). Só colei grau em 2005. Eu não dei a mínima importância para o diploma, pois tinha a escola e era só o que me interessava. Foi nesse ano, 2004, que escrevi meus três livros. - Apesar de ter decidido nunca mais frequentar a escola regular, demandas de ordem legal me impeliram a buscar certificações, diplomas, papéis e papéis higiênicos. Acabei, nessa esteira, entrando na licenciatura em Ciências Exatas, já que a LDB de 1996 exigia formação do professor em licenciatura. No mestrado, entrei por causa da bolsa (minha orientadora sempre soube disso). A partir daí, e isto inclui o doutorado, tudo o que eu fiz foi apenas para pegar o papel no fim. Acabei tendo ótimas experiências, como com o meu atual orientador de doutorado. Mas isso foi pura sorte. Não existem Luís Carlos de Menezes em cada esquina acadêmica. Pegar papel virou objetivo, porque esta é a única forma de "provar" "conhecimento" sobre algo. Assim sendo, o que eu faço é uma enorme ridicularização do sistema. Sim, afinal, em teoria, pelas cargas horárias acumuladas (no momento, doutorado, mestrado profissionalizante e duas graduações), meu dia deve ter mais de 24 horas. Mas, para mim, é muito simples levar tudo ao mesmo tempo com um esforço mínimo. Não por inteligência, mas pela esperteza de entender como (não) funciona o sistema. E me aproveito disso. As pessoas se impressionam com algo a que não deveriam dar valor. Mas, neste mundo das aparências, nada como usar diploma da USP como papel de parede para bancar o gênio. Um viva às estrelas do rock, que sobreviveram a isso tudo e nos brindam com seu talento!
Escrito por Prof. Perdigão às 04h53
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Mais aprendizados sobre redes sociais
Pelo fato de eu trabalhar a disciplina "Introdução à Informática" para os alunos dos cursos de Engenharia Florestal e Agronomia no campus local da UFT, acabo um pouco mais atento a artigos que tratam das relações humanas na internet, redes sociais, privacidade etc. Vale compartilhar algumas coisas que estão acumuladas aqui. Uma delas é a seguinte: suas fotos no Facebook, por exemplo, podem ser utilizadas livremente pela empresa em um anúncio publicitário, você sabia? Esta e outras bizarrices do termo de uso do site foram destacadas em reportagem de Leonardo Luis e Lucas Sampaio para a Folha.com, e pode ser lida aqui. Outra é a de que o Facebook vinha vigiando seus usuários mesmo quando estes não estavam logados em seu site! (Está vendo, alunada, por que não adianta nada, absolutamente nada, repito, NADA, clicar em "sair" se o que você deseja é manter a privacidade?). Além disso, uma das mudanças que o Facebook quer implementar é o compartilhamento coletivo e obrigatório dos seus passos naquele site. Sim, todos os seus "amigos"* vão saber se você clicou na foto da ex-namorada, se você acessou a comunidade da cerveja ou do sexo livre, por mais que você não queira tornar pública esta informação. O autor do artigo que comenta o tema, o estudioso bielorrusso Evgeny Morozov, trata, no mesmo texto, das consequências nefastas disto: um retrato preciso, mas estereotipado, de cada usuário pode ser feito, e as ofertas das empresas serão voltadas para o perfil que aquele usuário parece ter. Curioso eu ter resgatado este artigo justamente hoje, incentivado pelo fato de outro artigo de Morozov estar em destaque no UOL (o qual comento mais abaixo). É porque ontem estava discutindo com uma amiga sobre alguns planos comuns futuros, e ela havia notado que: os anúncios do Google passaram a ser voltados para o tema sobre o qual estamos pesquisamos, o mapa já ábre na região do globo que estamos examinando, e por aí vai. Respondi para ela que o mais grave de tudo isso é a perda da criatividade, é a perda da novidade nas experiências cotidianas. Não nos acontece, mais, de o mapa abrir em um local aleatório para explorarmos o novo, ao contrário de quando abríamos um atlas. Leia o artigo original e outras conclusões de Morozov, que escreveu melhor do que eu, clicando aqui. O outro artigo de Morozov trata de uma das consequências nefastas da falta de controle sobre o que é publicado na internet: grupos de pseudocientistas e arautos de teorias conspiratórias estão conseguindo seguidores em um ritmo extremamente veloz. Uma das consequências é o retorno intenso de doenças outrora controladas pela falta da vacinação que, pretensamente, provocaria autismo (você pode se espantar, mas uma revista científica séria chegou a publicar artigo que defendia a teoria. Depois descobriu-se que o autor tinha recebido dinheiro de advogados que pretendiam processar indústrias de vacinas com base no artigo). O sarampo é uma das doenças que está voltando com força em vários países: muitos pais deixaram de vacinar seus filhos e, agora, a incidência da doença está em ritmo de crescimento preocupante. Ele mostra, com números do Twitter, a dimensão da preocupação: enquanto a atriz antivacina tem 500 mil seguidores, o mais famoso cientista da atualidade tem 300 mil. Morozov propõe um controle, por exemplo, de buscas do Google, que alertaria para a controvérsia que envolve um tema e alertaria o usuário a buscar fontes confiáveis. Se já é ruim que tal alteração nunca venha a ser realizada, pior é o controle social que Google e Facebook têm implementado: quanto mais um artigo é lido, mais ele é destacado, seja confiável ou não. Prato cheio para os verdadeiros conspiradores. Leia o artigo clicando aqui. Portanto, o comentário de Carlos Nascimento, âncora do Jornal do SBT, sobre temas fúteis intensamente discutidos e propagados pelas redes (a propósito, o comentário do jornalista também se destacou nas mesmas redes) é errado. Não somos mais nem menos inteligentes do que antes: só estamos nos deixando emburrecer pelos novos impérios criados pela internet, destacando-se aí Google e Facebook em especial. *Essa história de "amigos" também é bisonha. Que lógica faz Fulano ter Beltrano como amigo se Fulano não responde às mensagens que Beltrano envia única e exclusivamente a Fulano? Sim, Fulano publica um monte de intimidades sobre a sua vida, sabe que Beltrano vai ler (porque ele é seu "amigo") e, quando Beltrano lhe dirige a palavra, Fulano ignora? Sei que as relações humanas são assim mesmo, ilógicas, mas, será que as regras de etiqueta foram extintas na internet? Isso não aconteceu uma, duas vezes comigo. Eu fui Beltrano com uns dez Fulanos nos últimos 30, 40 dias. É bizarro! P.S.: Eu ainda tenho de fazer um último comentário mais do que contextualizado. Há cerca de uma semana, uma dessas "amigas" do asterisco, uma Fulana, postou um imenso absurdo sobre si própria. Algo como um político corrupto dizer-se envergonhado com o desvio de verbas públicas, bradando "morte aos corruptos!"; ou um ébrio contumaz e irresponsável se dizer um defensor e seguidor ativo e eterno do "se beber, não dirija"; ou uma alpinista social defender apaixonadamente o amor eterno, independentemente do tamanho do patrimônio do nubente. Com isso, eu cristalizei a ideia de que rede social é perfeita para malandro, picareta, mentiroso, dissimulado, mas potencialmente negativa para pessoas honestas, sinceras, morais. O artigo de hoje do Morozov sobre os pseudocientistas só me confirmou isso. Quem sabe usar as redes sociais, como essa verdadeira professora, que, agora reconheço, poderia muito bem estar no meu lugar ministrando "Introdução à Informática" (com outro viés, claro), está na crista da onda, rindo à toa sobre como seus "amigos"/seguidores são crédulos e tolos (vários "curtiram" a mentira). Os verdadeiros amigos dela também devem ter rido a valer com a postagem irônica; os inimigos, por certo, se espumaram de ódio. Era tudo o que ela poderia almejar.
Escrito por Prof. Perdigão às 19h11
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Lições de fim de ano
Estas últimas semanas me trouxeram inúmeras lições. Ainda que todas elas sejam dignas de compartilhar, vou deixar as pessoais de lado e falar das "impessoais". Uso aspas porque as impressões acabam sendo inevitavelmente enviesadas. – Ainda há empresas honestas. Demorou para eu conseguir atendimento, mas a HP substituiu o meu cartucho queimado e a Oi, o modem queimado (este, por sinal, nem era caso de comodato, era meu, e a empresa repôs). Outras, como a Sky, de forma bem diferente, são pilantras, a ponto de reconhecer o cancelamento do plano e ainda assim lançar cobrança de mensalidade na fatura do cartão. Se a Oi sempre respondeu prontamente quando reclamei na Anatel, a Sky simplesmente ignorou até mesmo a autoridade pública... – Visto americano: siga a intuição, não a instrução. Embora os americanos digam para você se fotografar de óculos, na fila do consulado eles descartam a foto. São 15 reais e mais atraso. Tire sem as lentes. Outra: embora eles digam que o seu nome deve ser escrito igual ao passaporte, sem separação de campos entre o prenome e o sobrenome (caso do passaporte verde brasileiro), no visto a coisa é separada. Portanto, não deixe constar FNU no campo sobrenome na hora de preencher o DS-160. De resto, tranquilo. Exceto as 3 horas em pé, sendo 40 minutos no sol (poderia ter sido pior, caso fosse na chuva...). – Ainda há lugares no mundo sem a hipocrisia do Natal-Luz. Passei a virada de 24 a 25 de dezembro na boêmia rua Pio Nono, em Santiago. Nada de luzinhas ou decorações especiais na cidade. Esqueci totalmente do Natal! Nota 10! E curti tanto quanto no ano passado, pedindo uma pizza por telefone num quarto de hotel em Porto Alegre, mas desta vez sem abrir mão de estar na rua. Ainda que com um pouco de atraso, desejo a todos os amigos e a todas as pessoas de bem um excelente 2012.
Escrito por Prof. Perdigão às 00h48
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Balanço da 10ª TeNPo, Porangatu, Goiás

Foi um prazer imenso participar da Mostra Nacional de Teatro em Porangatu (GO). Se, nas minhas primeiras duas graduações, nunca estive ligado em viagens didáticas, desta vez quis viver a sensação. Ficar em alojamento, banho frio, cooperação com os colegas... Enfim, um excelente fechamento de um ano que representou uma virada (mais uma!) no meu jeito de encarar a vida. Mas falemos do evento! Quem participou em anos anteriores, assegura: foi fraco. Eu posso garantir que a organização foi muito ruim, com uma equipe de apoio que pouco sabia o que fazer, enquanto as "cabeças" ficaram sobrecarregadas. Mesmo assim, os espetáculos divertiram muito. Por ter participado apenas dos dias 16 e 17, perdi duas apresentações notáveis: Grupo Galpão e Juca Chaves. Mas garanto que as apresentações de sexta e sábado, incluindo sempre um bate-papo descontraído com os artistas, nada deixaram a dever. Grupos do Rio de Janeiro, Campinas e Canela (RS), especialmente notáveis na linha cômica, pincelada com técnicas circenses ou de manipulação de bonecos, foram destaques. Participei, também, de parte de uma oficina de Clown/Palhaço e integralmente de uma oficina de Direção. Foi extremamente proveitoso, pois me deu um olhar diferente para as questões da educação. Quero participar de uma edição futura, torcendo para que a organização melhore e que o festival não morra em Porangatu para nascer em Goiânia. O interior também merece cultura, afinal! 



Escrito por Prof. Perdigão às 03h15
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10ª TeNPo – Mostra Nacional de Teatro de Porangatu

Começa amanhã à noite a 10ª TeNPo, a Mostra Nacional de Teatro de Porangatu (GO), evento que segue até domingo. Um evento que já ganha ares de tradição e é destaque na área das Artes Cênicas no interior do Brasil. Nomes de destaque nacional costumam marcar presença. Além dos espetáculos, ocorrem oficinas de aprimoramento, na sexta 16 e no sábado 17. Excelente ocasião para aprender um pouco mais dessa área com a qual estou encantado.
Escrito por Prof. Perdigão às 21h48
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SNEF 2013 começa a esquentar
Já estão começando os primeiros movimentos para a organização do XX Simpósio Nacional de Ensino de Física, que ocorrerá em São Paulo, no Instituto de Física da USP, de 20 a 25 de janeiro de 2013. Deixo a nota aqui no blog porque não há, até o momento, outra referência ao XX SNEF, o SNEF 2013, na internet.
Escrito por Prof. Perdigão às 16h34
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Simpósio e palestra em Araguaína: agradecimentos
Agradeço aos professores e alunos do campus de Araguaína pela receptividade calorosa aos professores e alunos do curso de Licenciatura em Química, modalidade EaD. Tive a oportunidade de ministrar palestra sobre gráficos em livros didáticos, aproveitando para fazer um apanhado geral sobre a ciência, sua história, seus aspectos sociológicos, a transposição didática e tantos temas correlatos. Espero que todos tenham apreciado. Àqueles que desejam cópia das projeções da apresentação, basta clicar aqui. Esperamos poder fazer, ainda, um evento comum entre os campi UFT de Araguaína e de Gurupi, com tanta qualidade quanto este excelente simpósio. 
Prof.Adriana Torcato (UFT) e prof.Gerson Mól (UnB) 
Eu, o prof.Attico Chassot (URI-RS) e a prof.Juliana Barilli (UFT) 
Lázaro, Weslene, Atahualpa, Alessandro, Josefa, Romildo, eu, prof.Susana, prof.Juliana e Lucia: alunos dos polos Cristalândia e Porto Nacional
Escrito por Prof. Perdigão às 03h02
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Simpósio de Química em Araguaína

De 1 a 3 de dezembro, ocorre em Araguaína, no campus da UFT, o Simpósio em Comemoração ao Ano Internacional da Química, coordenado pelo professores de Química do campus, entre eles minha querida amiga Adriana Torcato. É o segundo ano seguido em que participo dos eventos das licenciaturas do campus e, mais uma vez, impressiona a lista de convidados. Se, no ano passado, tivemos Roberto Faria (USP São Carlos) e José André Angotti (UFSC), neste ano teremos Attico Chassot (IPA-RS) e Gerson Mól (UnB). Isso para ficar nos nomes mais conhecidos. Também estarei por lá com palestra referente ao tema de minha pesquisa de mestrado, que estou resgatando por ser bastante interdisciplinar: Os gráficos nos livros didáticos de Química do Ensino Médio. Um bom tema para um campus que, além da licenciatura em Química, também tem licenciaturas em Física, Biologia e Matemática. Afinal, os gráficos não são exclusivos da Química. Interessou-se? Saiba mais visitando o site da UFT, clicando em Eventos. Minha palestra será no dia 2 de dezembro, das 19h às 21h. Conto com a presença de todos por lá!
Escrito por Prof. Perdigão às 19h54
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Blog antenado/Viva Rondônia!
Finalmente, depois de 50 dias de ocupação, depois de meses de pressão e depois de mais de 4 anos de denúncias, eis que a Unir (Universidade Federal de Rondônia) se livrou do reitor Januário. Parabéns, Rondônia! Parabéns, comunidade acadêmica da Unir! Aproveitando a oportunidade: quem acompanha o blog já sabia o que ocorria na Unir. Há três anos e meio, o BoaProva Blog já repercutia as denúncias envolvendo o reitor. Veja aqui. Infelizmente, foi preciso que as denúncias se tornassem grandes o suficiente para entrar no noticiário nacional, para que a Unir conseguisse se libertar. A crítica que fiz em abril de 2008 segue mais do que válida.
Escrito por Prof. Perdigão às 02h46
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A segurança pública e a educação básica na USP
Não que não me aborrecesse antes o dito Facebook, mas desta vez a coisa está pior: surge uma guerra ridícula, superficial, entre os partidários pró-PM nos campi da USP, em especial o do Butantã, e os contrários a isto. Clóvis Rossi escreveu para a Folha de S.Paulo um artigo bem pertinente, em que chama de Fla-Flu a disputa, em que sobra torcida apaixonada e falta razão. De fato, é péssimo que nenhum dos grupos tenha percebido o mais grave: se a universidade é polo de geração de ideias, por que ainda não surgiu nenhuma ideia positiva sobre o tema, devidamente pesquisada de acordo com os protocolos acadêmicos e científicos? A crítica se une àquela feita em setembro por Gilberto Dimenstein – finalmente destacado positivamente neste blog – sobre o péssimo desempenho da Escola de Aplicação da USP no Enem. Se a universidade é o lugar onde a vanguarda de ideias se encontra, como pode a escola básica da universidade, ligada à sua Faculdade de Educação, ser tão ruim? A questão da presença da PM no campus passa a ser irrelevante quando a universidade deixa de ser socialmente relevante.
Escrito por Prof. Perdigão às 03h27
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Há contradições entre ser popular e estudar?
Estive conversando com alunos sobre o tema nesta sexta-feira 11, e me lembrei de um artigo interessante de Rosely Sayão sobre o tema, o qual me comprometi a compartilhar. Pois aí está: clique aqui. Os alunos com quem conversei, não necessariamente os de notas mais elevadas, mas certamente de maior esforço, visto que estavam estudando em horário extraclasse junto com o monitor da disciplina em uma véspera de feriado prolongado, disseram não ter percebido uma desvalorização da meritocracia nas escolas onde estudaram. Melhor assim.
Escrito por Prof. Perdigão às 14h08
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Representação estudantil: as mudanças em 40 anos
Um belo texto de Ricardo Melo, ex-dirigente de entidades estudantis universitárias na década de 1970 e 1980, publicou um texto excelente na Folha de S.Paulo sobre o tema. Vale a pena ler e refletir. http://rio-negocios.com/aqueles-dias-de-gloria/
Escrito por Prof. Perdigão às 19h35
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Divulgação de notas UFT Agronomia e Eng.Florestal
Os alunos dos cursos de Engenharia Florestal e Agronomia da UFT já podem consultar suas notas na primeira prova de Introdução à Informática deste semestre. Basta acessar http://uft.boaprova.com.br e clicar em Informática. As notas de Matemática sairão no domingo, 6. As provas não serão devolvidas antes de quarta-feira, 9 de novembro. Bons estudos.
Escrito por Prof. Perdigão às 13h58
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